"Continuo a mesma Cora de sempre, prefiro ser considerada rude, irônica, a viver com máscaras"

Coragoiana

domingo, 4 de outubro de 2009

O que interfere no processo de democratização da escola

Em Água Boa – MT, a escolha dos dirigentes escolares é feita através do voto da comunidade escolar, tanto nas escolas estaduais quanto nas municipais. No caso das escolas municipais, a Lei 600/01 assegura esse processo.
Vejo que o processo de democratização da escolha de diretores tem contribuído para se repensar a gestão escolar e o papel do diretor. Há uma tendência crescente de entender o diretor como líder da comunidade e como gestor público da educação, porém, o que percebemos hoje, são diretores muito comprometidos com o administrativo da escola e esquecendo-se do pedagógico. O que encabeça o plano de ação do diretor é o pedagógico, no entanto, é comum passar os dois anos dos diretores sem estes se envolverem com a qualidade de ensino do alunado. Há uma lista de cobranças, entretanto, não há estratégias e nem apoio logístico e moral para se alcançar tais metas em parceria com a equipe de docentes.
A beleza das palavras Gestão Democrática nos causam desejo e até certeza de conquistas de liberdade, mas é preciso tomar cuidado para que esta “liberdade” não fique só no voto e sim nas ações e comportamentos de todos durante toda a gestão escolar. Paro afirma que “parece que o diretor consegue perceber melhor, agora, sua situação contraditória, pelo fato de ser mais cobrado pelos que o elegeram. Esse é um fato novo que não pode ser menosprezado. À sua condição de responsável último pela escola e de preposto do Estado no que tange ao cumprimento da lei e da ordem na instituição escolar, soma-se agora seu novo papel de líder da escola, legitimado democraticamente pelo voto de seus comandados, que exige dele maior apego aos interesses do pessoal escolar e dos usuários, em contraposição ao poder do Estado. Isto serviu para introduzir mudanças na conduta dos diretores eleitos, que passaram a ver e atender as solicitações de professores, funcionários, estudantes e pais” (PARO, 2001, p. 69).
Penso que a escola está fora de seu eixo que conduz ao trilho certo, porque há tanto discurso em qualidade e pouco se faz para alcançá-la. Coisas simples como ler/compreender e escrever não são dadas a devida atenção na escola. Nossos alunos do Ensino Fundamental são analfabetos funcionais. Não compreendem as atividades da escola, no entanto, compreendem muito bem o mundo além dos muros da escola. Não raro, nos dão shows de conhecimento e espertezas.
Daí que eu pergunto, que paradoxo é esse que nosso aluno não compreende o simples que explicamos e entende o complicado lá fora sem ninguém explicar. Ou será que é porque não explicamos? Seria a relação professor/aluno? A simpatia? O compromisso tanto do aluno quanto do professor? A disciplina/respeito?
A Gestão Democrática, precisa se reafirmar e pisar no solo da responsabilidade “qualidade de ensino”. Caso contrário não haverá o porquê desta liberdade. Conforme Paulo Freire: “De nada adianta o discurso competente se a prática é impermeável a mudança.”